 |
|
|
as cartas
As Cartas
Magnólia não gostava de emeios. Ela gostava de cartas, todo tipo de carta: cartas de baralho, cartas de tarô, cartas geográficas e também aquele tipo de carta escrita à mão que algumas pessoas ainda enviam umas para as outras, via Correio.
Alguém aí já enviou cartas de amor pelo Correio?
Por gostar tanto de cartas Magnólia acabou indo trabalhar no Correio de sua pequena cidade, Grafolância, e especializou-se em abrir e fechar os envelopes das cartas sem que ninguém percebesse. Ela fazia isso não porque fosse mexeriqueira ou tivesse interesse no conteúdo das cartas mas sim porque gostava de apreciar a grafia das letras. E as grafias eram muitas e diversas: umas gordinhas e baixinhas, outras magras e altas, umas inclinadas para o lado direito, outras inclinadas para o lado esquerdo, algumas bastante claras e legíveis, outras muito barrocas, quase ilegíveis. E eram estas últimas as suas prediletas porque podia ater-se totalmente na grafia: como disse anteriormente, à Magnólia não interessava o conteúdo das cartas.
Aí então ela tirava cópia dessas cartas na copiadora vizinha ao correio e o dono da xerox era seu conivente e apreciador da técnica do calígrafo.
O que Magnólia fazia depois com essas cópias?
Bem, ela datava-as, emoldurava-as e pendurava-as nas paredes da sua singela casinha como verdadeiras obras de arte junto às cartas geográficas, às cartas de baralho e às cartas de tarô.
Escrito por sandrinha às 19h02
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
mapa antigo
MAPA ANTIGO. Em um amor a maioria procura eterno lar. Outros, muito poucos, porém, o eterno viajar. Estes últimos são melancólicos, que têm a temer o contato com a terra-mãe. Quem mantiver longe deles a melancolia do lar é quem eles procuram. A este mantêm fidelidade. Os livros medievais de complexões sabem da aspiração dessa espécie de homens por longas viagens.(Walter Benjamin. Rua de mão ùnica).
Escrito por sandrinha às 06h55
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
singeleza
Singeleza
O riso da Rita
é risada rosa.
A rosa da Rita
rodeia o ramo
de ramalhetes róseos
e a Rita ri à rua
risando rimas rangidas
na retina e rota sem rumo.
Nos ritos e rumores Rita dá risada
redonda
e a roda rodopia e rola
e roça a renda da Rita.
O riso da Rita
é risadela sabo(rosa).
Escrito por sandrinha às 22h33
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
SIL
Serviço de (In)utilidade Lúbrica
O que é útil e o que é inútil? Que parâmetros sinalizam tais definições?
Miliuma utilidades fúteis da domesticidade fazem do lar lugar límpido, insípido e inodoro. E eu com meu barril de pólvora assumidamente explosivo pronto a frevilhar monções de caça aos ladinos do Império American Way of Life. Encanto-me com "Ladrões de bicicleta" e corações e sou conivente de assaltantes de supermercado uolmarte enquanto o Poro carimba notas com a frase FMI:Fome e Míséria Internacional. É isso aí! Aprecio a subversão, gosto da contravenção. E os contra-culturais magos da resistência onde agora aqui estão? Então o fígado é que suporta tudo com a maior intranquilidade anexado ao tubo indigesto das corporações. Crio oralidades inusáveis e creio no Sr.Ócio útil-inútil. Desbundo e desnudo a competição dos atores do Grande Teatro da Hipocrisia Internacional: Gê-oito. Depois relaxo e...
(...) em sendo aderente, tua pele inflamo e meio cega meio louca aguardo na boca o sabor deliciosamente amargo da minha dose (...) Embriago-me, rastejante serpente, obsessivamente demente e nua à luxúria escorrego: lava quente................................. Ei-me e queime (...)
Escrito por sandrinha às 06h02
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Ladjane
Fazia tempo 
que eu não postava imagens ,né?
Este belíssimo/fortíssimo quadro (da série O Gesto e o Grito) é da artista plástica pernambucana, já falecida, Ladjane Bandeira. Mas ela foi muito mais que uma artista plástica ... quem quiser conhecer mais basta acessar o site (ver link Instituto Ladjane Bandeira ao lado).
Escrito por sandrinha às 10h04
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Lênin

Pensamento do dia:
sinto, logo existo
retificando:
sinto muito, existo
Escrito por sandrinha às 09h18
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
ofendículo
Ofendículos
Ofendículos, palavra por mim até então desconhecida, descobri no site do Overmundo (é o nome da exposição do artista plástico bahiano Marcelo Aragão).
Para quem não sabe ofendículos é o termo jurídico que designa as parafernálias usadas para proteger as residências - arames farpados, cacos de vidro, cercas elétricas e por aí vai.
Para mim a palavra soou como a ofensa dos ridículos...
Acho que sou meio boba, talvez ingênua e desavisada mas não consigo compreender a tamanha obsessão das pessoas no que concerne a proteção dos seus bens privados. Talvez porque seja desapegada das coisas. Também não tenho casa própria, nem automóvel. O computador que utilizo é da minha irmã. Tenho poucas roupas, poucos livros, poucos cds. Tudo empresto, perco e acho. Ou seja, não sou muito adepta da propriedade privada. Prefiro partilhar o que sei que não tenho e compartilhar o que realmente tenho: idéias, sentimentos, paixões. Enfim não compreendo este desmundo.
Ando muito à pé, de ônibus e quando pego carona com algum amigo ou amiga não subo o vidro da janela quando um menino ou menina de rua se aproxima para pedir esmola. À pé não mudo de lado da calçada quando, a minha frente, jovens suburbanos se aproximam. Olho no olho e cruzo com eles sem temer que sejam jovens delinqüentes. A miséria é grande e reagir como se eles fossem criminosos magoa bastante.
E no entanto a maioria das pessoas preferem se proteger. Mas proteger-se de quê? De quem? Da vida? Mas a vida está nas ruas, triste ou alegre, feia ou bonita é a vida pulsando.
Muros altos, cercas elétricas, verdadeiras fortalezas, fraquezas do ser (des)humano. E a rua deserta como um filho abandonado. Eis a ofensa do ridículo, do mesquinho.
E em sua exposição Marcelo Aragão indaga: "de que lado você mora?"
E eu respondo: eu moro dos dois lados, o de dentro e o de fora porque a vida é feita de paradoxos e eu quero o ninho e a praça.
Obs.: não vi a exposição do Marcelo, ainda está em Aracaju, mas acho que vale a pena ver. Ele vai expor em Olinda no "Arte em toda parte".
Escrito por sandrinha às 21h03
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
haicaipira pira
a André Balbino (poeta cuiabano bom demais sô!)
Balbino e sua viola
balbuciam bulbos de flores
na radiola
Escrito por sandrinha às 18h55
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
A imaginária
A Imaginária
Querem me fazer crer que a imagem comporta verdades mas a única verdade é que a imagem é e somente é imagem.
Querem me fazer crer que a imagem do santo faz milagres e no entanto o único milagre é o da sua belimagem.
A imagem não tem bondade, a imagem não tem caráter.
A imagem é luxúria pros óio que essa terra há de comer.
E ao fechar os olhos, cegueio e a tua imagem já não me importa se tua mão travessa penetra nos recôncavos do meu corpo e rastejo quente tateando o teu...falo e suspiro roçando a carne dura. Instante atemporal das genitálias sem imaginária e sinto sabor de sal na boca...
Escrito por sandrinha às 12h15
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
amor de imperfeitaria
Amor de Imperfeitaria
Ela não sabia por onde começar, só queria viver de bar em mar e aprendizendo não hesitava em falar o que lhe viesse à semente. Mas ele a desinterpretava e aí vinha a lombriga. As palavras são contas inésgotáveis de colares que se desfazem. E pasmem, eles ficavam dias sem se falar.
Mas a saudade era chumbo de pesar no peito e no leito o casal de tombinhos relocavam a relação deixando-se abandonar na umidade dos beijos. E ela soluçava enquanto lambuzada na carne aberta. E ele transpirava com seu caule apanhado com astúcia pela boca mais molhada da felicidade: eletricidade imanente proveniente da delicandura do amor.
Eis que tudo parecia perfeito outra de vez para desnunca. E o casal de acomodadinhos não recuidou da entrelação e em pouco templo o enlace começou a degenerar: confusão, conflto, erupção. Ai ai ai tudo decai se descuidado. Manchado de tonalidades cinzas os róseos perdem sua vibração e se esvaem no tão desgosto lavar das roupas sujas.
- Usaste verbos inadequados, adjetivos pelo avesso e advérbios de lugar comum.
- O que desesperavas de mim se cada palavra desdita minha se agiganta em tua demente?
- Ah, inconseqüente! Já não cabes no que desdiz.
-Ah, indolente! És a preguiça em fernando pessoa. Quantos versos não navegarão quando deixares o poeta em paz.
E assim caminhava a humanidade explosiva do casal. Foi quando um amigo distante se aprochegou de ambos e lhes deu Bonconselho amplo. Tom Senso era o seu nome.
- Será que não sabem das imperfeições da alma humana? Esperam um do outro perfeitações mas perfeitação é binômio de morte. O erro é germinal. Não invistam nele e nem perdurem no tal porão escuro da incompreensão. Sejam tateáveis e tuda correrá fluida como o druida de vasto panoramix.
E após as palavreadas lições do amigo do Consenso o casal vislumbrou o Bonsussenso Samba Clube e as imperfeitações foram reassumidas na imperfeitaria da esquina. Enquanto o lustre frágil que desejavam quebrar há tempos caía feito fruto colhido maduro...
ENFIM
Escrito por sandrinha às 16h43
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Inteira
O riso me salva
na selva humana
e um cheiro de malva
invade a semana...
inteira.
Escrito por sandrinha às 14h02
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
contornando muros
enquanto sonho acordada
a realidade me roça e coça...
e minhalma, como o vento, errante
inventa Polichinelo brincante
faço-me duplicidade
com o títere teatral
evitando o vendaval
do enfrentamento direto
enfim redondeio a razão cartesiana
e permeio o calor da labareda:
serpenteante lume
e no cume da subversão
desfaço o conflito
entre o ferro e a bigorna.
Escrito por sandrinha às 19h04
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
garota moscovita
Garota Moscovita
à Haidée
Saiu do frio, a garota moscovita que não se chama Nikita. Ela tem humores e brinca de luzecores. E colore céu e chão e paredes e faz mágica vivendo não sendo trágica. Esperta e viva porém discreta: sabedoria secreta. Generosa, sempre formosa, ela sabe nutrir amizade e deixa saudade. É garota de nobreza, firmeza e delicadeza que nasce no gesto de leveza pura e jura que não é grande coisa: modéstia... Modesta ela detesta exibição. Então se esconde atrás da camêra... Ação! Uma festa de fotos carnaval etc e tal. E dizem que quem tem seu amor sente sabor de pimenta nas horas vadias: ela queima!!!
Escrito por sandrinha às 20h44
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Eu queria falar...
Eu queria falar sobre alguma cousa mas a lousa me escapa e o giz se desmancha em pó.
Eu queria falar sobre alguma coisa mas as idéias são geléias escorregadias e me fogem todo dia.
Eu queria falar sobre sonhos de amor mas o calor que incide no corpo me aquece a ponto de doer.
Eu queria falar sobre a música que ainda repercute n'alma desta que não se acalma nem ao som de Coltrane.
Eu queria falar sobre ti, embaixo de ti, ao lado de ti, ao redor de ti...
Sim! Sim! Numa dança sem começo nem fim!
Escrito por sandrinha às 15h32
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Pensamento do dia :
Erro, logo existo.
Escrito por sandrinha às 09h16
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
A Pranta e o Pranto
Foi numa noite de primavera que a Pranta deu seus frutos mais doces. Parecia mágica porque a secagem já se anunchegava e o sol de rachar o solo crescia a cada dia em calor e brilhura. A Pranta tava vistosa, verdinha verdinha e suas flores de uma amareluzura de dar gosto de ver. Mas todo aquela boniteza era como o último suspiro da natureza verdejante e dali mais um dia tudo ficaria seco.
Nenhuma chuva caía do céu azul celestial. E o chão era rachadura de doer o cão. Os bichos começavam a perder peso: em pouco tempo eram pele e osso. O riacho secava tão rápido que até os sapos suplicoaxavam em vão. Então o Pranto compareceu a correr as vilas e os violeiros cantavam em tristeza abençoada, toada de verter água nos olhos das almas gemidas de fome e dor de perder verdura dos recôncavos.
E não se sabia porquê milagre a Pranta teimosa resistia a toda aquela secura do sertão e seus frutos caíam maduros pra alegria da menina que catava todos sem deixar um no chão. Parecia que só naqueles métricos havia satisfeição porque nos arrabaldes nada lembrava o tempo das vacas gordas e as folhagens do tamarindo sombroso*. E quem se aproximava da Pranta não se continha e o Pranto chorava com ternura e gratidão.
*João Guimarães Rosa, "Grande Sertão: veredas"
Escrito por sandrinha às 17h42
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
O Garoto do Luar de (A)gosto
Seu nome era Ártico, o lunático. Garoto cheio de alucinações, segundo seus vizinhos, porque para os amigos Ártico era o menino mais lúcido do planeta.
Ártico repetia sempre um provérbio que aprendera com Marcelo Valente, o Cristo perigosão: "em terra de cego quem tem um olho é doido". Ártico enxergava além e através da realidade. Via coisas que ninguém via só alguns amigos com miopia. Gostava de filmes de ficção científica e dizia que "Aliens" era o melhor filme sobre a Guerra do Vietnã mas isto ele ouvira do Professor Miguel, "Auu".
O que interessa mesmo é que Ártico dizia que o sentido estava no instante do piscar dos olhos e por isto nos escapa tão facilmente. Para Ártico quem domina esse instante nunca perde o sentido mas isso não vale para os cegos que têm os outros sentidos (olfato, paladar, audição e tato) evoluídos mas sentido também significa propósito ou ainda rumo.
Ártico nunca saía do rumo apesar de perder o prumo mas seu rumo incluía muitos sentidos e por vezes perdia-se e achava-se pelo caminho que seguia. Uma coisa posso garantir, mesmo com todas as sinuosidades do caminho ele mantinha-se no rumo: cambaleando aqui, tropeçando ali, afinal de contas como dizia o poeta sempre havia uma pedra no caminho.
Ora, não esperem que eu conte aonde Ártico foi parar porque, até onde eu saiba, ele continua caminhando pelas trilhas de vaga-lumes encantadas por lucinações de efeito lunar.
Escrito por sandrinha às 20h18
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
quinquilharias
Quinquilharias
1. Nem tudo que tem significado é racional.
2. A razão não clama por tesão.
3. A meu ver, um pouco de tudo é bom saber.
4. As rimas dão sonoridade às limas.
5. Quem não tem nada à dizer é porque...sei lá.
6. As besteiras servem pra irritar os soberbos.
7. A paciência tem limite mas seus frutos são de chocolate.
8. Calma é pra quem não desalma.
9. E só desalma quem não tem dálmata.
10. O sentido tá carcomido.
11. Tudo tem um pouco de razão e aberração.
12. A melancolia me invade ou será que mora
em mim e extrapola?
13. Sob o sol não há dúvida somos todos só(i)s.
14. As sensações não têm senso nem ações.
15. Nem a camaradagem tem câmara mas agem.
16. E o supérfluo pode ser super mas eu não fluo fácil.
17. Feminino é um niño afeminado.
18. Ando muito ansiosa pra escrever. Dá pra perceber?
19. Vou dar um tempo pessoal.
20. Nganga que eu gosto...
Escrito por sandrinha às 15h55
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Bem que eu queria
Bem que eu queria me panlacerar numa paixão de rasgar pudores e exalar odores de sexo até a esquina do quarteirão onde uma gataria de gatos e gatas se anunciam e miando pronunciam seus desejos de leitinho fresco e cio benfazejo. E lume quer volume* alto sonoro de gemidos e berros de plazer. E enquanto escrevo a gata daqui de casa roça em minhas pernas. Sai gatinha! Não me provoque que minha pele se arrepia fácil e por enquanto ainda não sou tão pervertida... Previna-se! Previnam-se de mim que posso ser um encosto com o meu desgosto de desamor mas acho que mereço um lugar ao sol ou à lua, sei lá. Diz aí o que posso fazer se o bem que eu queria não me quiz show?
* Mia Couto, escritor moçambicano.
Escrito por sandrinha às 13h33
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
ca(r)comiga
Ca(r)comiga
Estava ca(r)comiga meio desamparo meio bruxa tentando inventar zencantos que me aliviassem... e as unhas não crescem: são roídas diariamente. E por que diabos as horas não discorrem e convergem comigo? Não tenho botões em minha camisa então tento palavrear com os ponteiros do réulógio mas o segundo é muito apressado, o minuto arredio e a hora muito lenta senhora do templo atroz da solidão que povôo num vôo rasteiro porque penultimamente ando frágil feito papel crepon que se rasga num repuxo dos dédalus e esse quarto escuro mesmo de dia...Avia! Preciso abrir as janeluzes da casa e descasca da primeira à última vez e assim a tez se inflama: ruborizo vermelhos-róseos por mostrar minhalma tão nua.
Escrito por sandrinha às 10h39
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
para ter passado
Para Ter Passado
Deixa o passado de lado
e resgata o presente ausente
o que foi já era...
deixa à margem a imagem
do encontro que já passou...
já passou, tudo passa
então vai à caça de um novo amor
que sejabraços calor
nos dias frios de arrepio
e à noite seja carne e chama
na cama de algodão macio
até penetrar o vazio
molhado
sumo quente que escorre repuxado
na pele do outro que se faz amado
esquece para ter passado.
Escrito por sandrinha às 19h54
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
" as pessoas é que abrigam a casa,
a ternura é que sustenta o teto"
Mia Couto, "O Outro Pé da Sereia"
Mia Couto é um escritor moçambicano, Maravilhoso!!! 
Escrito por sandrinha às 17h50
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Recreação/Recriação
Recrio e crio mil vezes a fio
o sabor que salta aos olhos
com molas nos pés peraltas
da infância no recreio
cheio de alegria que a Bia
não cessava de rir à toa
até mijar nas calças por causa
das gracinhas do João que em vão
tentava empinar a pipa
que enganchava na ripa do telhado
e depois rolavam
na areia úmida, engraçadinhos
bifinhos à milanesa postos
à mesa na hora do almoço
e depois voltar às brincadeiras
infantis que não retornam nunca
senão nas lembranças nostálgicas
dos adultos que vivem a criar
e recriar seu cotidiano mediano
de ilusões sem recreações.
O que é isso?!
Os adultos têm recreações sim,
só que de outro tipo...
Escrito por sandrinha às 17h25
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
de Voyerismo & de Exibicionismo
E então a moça não se roga e se mostra mas não tão mostra tudo e ele lhe lançanet aquele comolhar de tarado que a deixa em sopa de letrinhas tesão. Elvira as costas e desbarata a blusinha frente só. Regira a cabeça e olha pra detrás e vainda o vê lhe comendo com os olhos de fogo. Mostra-se frente unicamente e revela seus peititos alvos de mamitos cor-de-rosa. O olhar daquele acompanha as sinuosas do seu corpo semi-nude e mais uma vez daquela molha a calçola. Deita-se na cama e sente os lençóis em chamas. Desnuda-se por completo, suas mãos deslizam entre as coxas até o desvão, brinca com o grelo sem grilo diante dos bocolhares embabecidos do rapaz e então seu corpo inventa convulsões, descobre treme-treme, geme-geme até o amolecer entregue à felicidade. E do outro lado da rua ele pensa numa desculpa que justifique o tapete sujo da avó.
Escrito por sandrinha às 19h15
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
imagem:http://www.rabisco.com.br
Maio de 68, Paris!!!
"Quanto mais eu faço amor mais eu tenho vontade de fazer a revolução. Quanto mais eu faço a revolução mais eu tenho vontade de fazer amor"
Sob o asfalto pode crer que havia praia. Garotas de mini-saia nas barricadas do desejo pela vida. Sonhos utópicos de liberdade desenfreada. Quem disse que a vida não pode ser amplifreakada? E a liberdade é, será, sempre uma quimera louca pulsando firme nas almas jovens das mentes quentes de idéias amalgamadas gamadas por vida de gente criativamente sã e nem sequer sabemos pra onde iremos assim tão soltos neste cosmundo de esferalização. E as minorias clamam por seus direitos igualdade fraternidade, vejo tudo numa canção de amor em vão, desilusão, onde o fogo estava prometido, Prometeu não deu e eu fiquei a ver navios frios no mar bravio ao lado de Morfeu...
Escrito por sandrinha às 00h02
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
 |
| [ ver mensagens anteriores ] |
|
 |


|
 |