nganga_____________________adoro manga...


Linguarudos

 Björk, a "Divina Eva"

Mulher-Menina-Moleca que lambe e lambe e lambe o Homem-Menino-Moleque. Língua na língua: beijo de língua. Língua no sexo: cunilíngua. Beija-flor beija Fulô. Beija e lambe e beija e a Menina beija e lambe e morde e o lambe-lambe sacode o sexo do Menino...

Doidinhos, doidinhos.

  Iggy Pop, o Menino que beija&lambe.



Escrito por sandrinha às 21h25
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O galo

"Sandrinha, nossa vida virou uma tigela de barro..."

Maria Antônia, minha sobrinha, ao acordar inconformada com um galo que deu pra cantar às 5:00 da manhã na casa do vizinho.

Acho que essa criança já é poeta.



Escrito por sandrinha às 06h42
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Profana

Profana

a ready made

 

Proclamado procedido

no juízo doido

Processado procriado

no beijo afoito

Procumbido procurado

no umbigo cheiroso

Produzido proejado

no desejo lodoso

Profundado progredido

no riso do gato

Programado profanado

no ensejo do ato...

e no ato,

hiato,

profano dano

aos eclesiásticos,

abutres padres

de verdades desinocentes.

Imagens desgastadas, empoeiradas

na santa Sé de fé ignóbil.

E a profanidade iconoclasta seduz

Nossa Senhora,

profanada

profodida

profinda

finda

afunda

no fundo

no fundo

 no fundo.

 "Elle a chaud au cu"

Nossa Senhora da Conceição por Sandra "Duchamp" Camurça. 



Escrito por sandrinha às 18h08
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santa cruz

Ai ai ai ai ai, o meu "Santinha" não sai da lanterna da série A. Olha lá, Maurício Simões! O que é que tá acontecendo, cara?



Escrito por sandrinha às 17h59
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Angela

 Black Power 

"É importante não somente ter consciência e sentir-se impelido para tornar-se envolvido, é importante que exista um forum, lá fora, para que cada um se relacione, uma organização, um movimento".

Angela Davis (ex-ativista dos Panteras Negras. Atualmente é professora de história da Universidade da Califórnia).



Escrito por sandrinha às 00h15
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LULA

 

Comecei a campanha. Sem grande entusiasmo mas comecei. Como sempre pintava bandeira, camisa ou fazia bolsas nas campanhas anteriores: época do "faça você mesmo", "faça o seu material de campanha", resolvi começar dando uma aquarelada virtual na bandeira da campanha deste ano. E aí? Ficou bacana, não? 

Mas a razão principal para eu começar a me agitar é que a Heloísa Helena agora tá dizendo que quer ser a mãe dos brasileiros. Vê se pode? Aaaaah! Faça-me o favor... Como se não bastasse o estilo "evangélica raivosa", essa mulher agora vem com essa. Mais conservadora do que nunca. É ela e o Alckmin: Nossa Senhora e São José. Rararara... Perdoem-me os eleitores dela mas gente, pensa um pouquinho. Sei que o Governo tá bem aquém dos nossos sonhos. Mas há avanços, só não vê quem não quer. O caminho ainda é o PT, um partido que tem história, nasceu junto aos operários e trabalhadores. Suas bases continuam muito fortes, claro que um pouco fragilizadas mas a moçada é de luta. O Alckmin é um retrocesso total (direita conservadora) e o PSOL não é alternativa ao PT, eles não têm um projeto próprio porque o projeto deles é o do PT. E eu não quero saber do projeto petista nas mãos dessa "evangélica conservadora e oportunista". Perdoem-me mais uma vez mas não dá pra me calar.

Abraços a todos.



Escrito por sandrinha às 17h45
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panejamento 1

A imagem abaixo trata-se de um detalhe do panejamento (vestes entalhadas que imitam pano) da estátua de Nossa Senhora das Neves na igreja de mesmo nome, anexa ao Convento de São Francisco em Olinda- PE.

A técnica de pintura aí utilizada chama-se esgrafito: após a aplicação de folhas de ouro, pinta-se a estátua e com a tinta ainda fresca risca-se a superfície, com estilete de madeira ou de metal, criando desenhos. Assim, o dourado aplicado abaixo da pintura reaparece. Os desenhos minuciosos desta imagem chamam-se "caminhos sem fim", criação pernambucana (que os baianos não venham me contradizer).

VIVA O ESPLENDOROSO BARROCO!



Escrito por sandrinha às 00h22
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panejamento

 

Escrito por sandrinha às 00h13
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cabeça 1

 

Escrito por sandrinha às 00h01
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cabeça

A imagem acima é uma cabeça de santo-de-roca* que se encontra no Convento de São Francisco em Olinda- PE.

*santo-de-roca é uma imagem articulada feita de madeira leve, gesso ou outro material (os olho muitas vezes são de vidro). Ele tem um esqueleto (base) que sustenta algumas partes expostas: cabeça, mãos e pés. E fica coberto por trajes de tecido. Tem origem medieval (Itália), quando a igreja inspirou-se no teatro de marionetes. Era levado às procissões para dar dramaticidade e impressionar os fiéis. No Brasil alcançou o seu apogeu no século XVIII.



Escrito por sandrinha às 23h47
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Marte

Moçada, dia 27 (amanhã) às 00:30 o planeta Marte poderá ser visto a olho nu. "Duas luas" serão vistas no céu.

Não percam o fenômeno porque isso só ocorrerá novamente no ano 2200 e lá vai pedra!!



Escrito por sandrinha às 12h33
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Keith Haring

 Desenhos de Keith Haring, artista pop 80's sensacional!

 ver mais em: http://www.haring.com



Escrito por sandrinha às 21h45
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cóccix

                                          Cinema Cóccix

 

Era um lindo cinema em estilo art nouveau. Hall luxuoso com piso de mármore branco. Espelhos por todos os lados. Dourados. Lustres de cristal em forma de buquê de flores, tudo bem art nouveau. Na vasta sala de exibição, carpete cor de vinho, paredes com desenhos rebuscados, pé direito altíssimo. E nas laterais esquerda e direita do imenso telão, vitrais florais coloridos com iluminação embutida por trás. Quando as luzes dos vitrais acendiam projetavam uma luminosidade deslumbrante e depois apagavam para o início da sessão de cinema. Ah, as cadeiras também eram bonitas, de madeira, com design mais art decó. Mas tinham um problema: eram duras, duras mas tão duras que doíam até o cóccix.

As modernas salas de cinema são bastante confortáveis, com poltronas macias. Mas naquela cidade poucas pessoas trocavam o charme e estilo do esplendoroso Cinema Fox por qualquer cinema multiplex. A beleza do Fox era o acompanhamento perfeito para um belo filme, assim como um bom vinho deve acompanhar um saboroso jantar. E aquele telão enorme, aaah, aquele telão de imensidão barroca projetando belas imagens, belas histórias, nos fazendo sentir a pequeneza da realidade perante a grandeza dos sonhos, da arte. Mas as cadeiras...Puxa, aquelas cadeiras eram belas mas de doer o cóccix... O que fazer então? O Cinema Fox era tombado como patrimônio histórico e artístico: nada poderia ser modificado.

Por melhor que fosse o cinema e o filme era duro de agüentar. Era um mexe-remexe, ninguém conseguia ficar muito tempo na mesma posição, produzia-se então um rangido de cadeiras danado na sala. E um burburinho de reclamações sempre acompanhado por uma resposta de algum cidadão resignado: "fica quieto, porra! Assim não dá pra ver o filme!". Só algumas senhoras com abundância de bunda não sentiam tanto incômodo. Até que o cara mais magricela e doente do cóccix, assíduo frequentador do cinema, propôs:

- Não seria possível ao menos colocar um acolchoado nestas cadeiras? Desse jeito é de lascar! Não há Ingrid Bergman, Brigitte Bardot, Nastassja Kinski e Monica Bellucci que me prenda à sala de cinema. Tô pensando até em trazer uma almofadinha de casa. A coisa tá insuportável!!!

A "coisa" era a cadeira dura, evidentemente. Mas os técnicos do IPHAN foram irredutíveis: nada de acolchoar as cadeiras.

Regra radical ou não, o fato é que a situação gerou um comércio informal de almofadinhas nas adjacências do cinema. Assim os fiéis frenqüentadores do Cinema Fox passaram a chamá-lo carinhosamente de Cinema Cóccix... e todos levavam suas almofadinhas.



Escrito por sandrinha às 18h32
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Patti

 "Tentei transar com uma mina uma vez e achei uma droga. Ela era muito macia. Gosto de dureza. Gosto de sentir um peito masculino. Gosto de osso. Gosto de músculo. Não gosto daquele peito todo macio".     

                                         Patti Smith (poeta, artista e música).



Escrito por sandrinha às 20h59
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da Propaganda e do Marketing

Não sou profissional de publicidade, muito menos marketeira, nem teorizo sobre esses temas mas mesmo assim irei me arriscar (de improviso, o que é pior) a falar algumas coisinhas.

Gosto, sempre gostei da arte publicitária. Desde as tiras e cartazes da década de 40 até a propaganda veiculada na mídia televisiva. Gosto dos reclames (custei a adotar o nome propaganda) de TV pelo seu humor (comerciais do Bombril com o ator Carlos Moreno); fantasia (Run Montila); subversão (Benetton); poesia (lembro de um, acho que sobre síndrome de down, que tocava "fake plastic trees" do Radiohead ... aaah, a voz deliciosamente melancólica de Thom Yorke, é de matar).

A propaganda é a arte da sedução e só há sedução com fantasia, humor, poesia e por que não, subversão? Atualmente vejo pouco televisão, então não tenho muita noção do nível da publicidade atual. Infelizmente a propaganda nacional é bastante conservadora mas talvez seja no mundo todo (não tenho noção, não sei o que se faz lá fora). Obviamente isso é reflexo da ideologia burguesa que não se arrisca por outras veredas porque é intrinsecamente alienada e alienante.

Mas onde é que entra o marketing nessa história, ou melhor, nesse texto?

Bem, enquanto a propaganda é a arte que se manifesta através da fantasia, sonho, magia, poesia, humor, subversão e por que não, revolução? O marketing me parece frio e (ou por isso mesmo) mercadológico demais (afinal vivemos, infelizmente, no sistema capitalista). Os profissionais do marketing só se preocupam com resultados práticos. Não lhe interessam a arte e a estética (e muitos ignoram a ética). Desconhecem o alimento da alma...

Não gosto de marketing, não gosto de marketeiros, não gosto, não gosto.

E não sei mais o que dizer, pronto.

E que venha a propaganda eleitoral (já tá rolando, sandra). Ai que saudade do programa eleitoral do Lula em 1989...PTesão!!!

 

 



Escrito por sandrinha às 14h18
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Bob

    "A música tem uma coisa boa:  quando bate você não sente dor"

                                                        Bob Marley



Escrito por sandrinha às 20h44
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Reds

                                          

                                              A Century Cóccix Filmes

                                                                          apresenta

                                    mais uma co-produção SLAPT & NHAC:

                  REDS, O Livro Vermelho

Estrelado por: Warren Beatlix (O Livro) & Diane Keatonfulô (Ela, a Dona).

Sinopse:

O livro chegou via sedex, de surpresa, endereçado àquEla que suspira de amor e ardor. Instalou-se muito à vontade em seu quarto e com seu vermelho saturado não a deixou dormir chegada a hora do soninho.

O livro acomodou-se à mesa de cabeceira e ali ficou a esperar pelo toque sensual das mãos da Dona. Ela deitou-se vestida para matar de camisola e sem calcinha, como sempre dormia. O pequeno Sátiro a seduziu num relance do olhar e sem titubear Ela tomou O livro em suas mãos. Seus dedos percorreram nome do autor e título como se cega fosse e fizesse leitura em braile. Apertou, ofegante, O livro contra seu peito, depois levou-O aos lábios e docilmente O beijou. Abriu O livro na primeira página e lambeu a caligrafia do autor como se lambesse sua alma... Degustou as páginas seguintes: lambeu, mordeu, chupou. E machucou  O livro com ternura. Esfregou-O com sofreguidão em seus seios, em seu ventre, em seu sexo úmido...

E assim, dilacerado, esfolado, O livro anoiteceu em frangalhos em seus braços abraços na noite que abalou o mundo da Dona... que por fim, Devorou-O e foram felizes para sempre...

                    

                     Pintura de Franz von Stuck                 

 



Escrito por sandrinha às 10h15
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caligrafia

                 Na dedicatória, a caligrafia.

                 E um beijo afetuoso

                 no silêncio de agosto.



Escrito por sandrinha às 20h00
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Fuga 2

"Nestes dias ninguém pode aferrenhar-se naquilo de que 'é capaz'. Na improvisação está a força. Todos os golpes decisivos são desferidos com a mão esquerda" Walter Benjamin. Rua de mão única.

É incrível como essa frase, dita/escrita entre os anos 30/40, soa atual. Benjamin foi um grande intelectual judeu alemão marxista com sensibilidade à flor da pele, aberto às novidades. Se hoje vivesse, acredito que apreciaria a arte do grafite, o hip hop, o wuming, o re:combo (ver esses links ao lado)... Foi um homem que pensou e escreveu sobre diversos assuntos. Foi amigo de teóricos inimigos (intelectualmente) entre si. Bem, não estou aqui p/ falar de Benjamin. Já existem biografias dele muito boas. Na verdade esse preâmbulo foi só para anunciar esse modesto conto que escrevi em sua homenagem:

 

                                                       Fuga nº 2

 

Ela rodopiava rodopiava rodopiava de olhos cerrados cerrados cerrados. Anna Amorova nasceu em Kaluga, província russa. Sua arte é a improvisação. Faz pantomimas há um tempão. Dedicou-se a esse ofício após aportar no Brasil, em agosto de 1991, após a dissolução da URSS.

Ao chegar aqui, Anna não conseguia comunicar-se com uma alma viva. O seu russo era muito carregado no sotaque voraz kaluguês. Se ao menos fosse sotaque leningradês, teria encontrado alguns intérpretes marxistas-leninistas. No início, escrevia, escrevia e escrevia para se fazer entender pelos intérpretes que sabiam direitinho o alfabeto cirílico.

Lindo alfabeto com letras que parecem ter atravessado o espelho. Mas Anna cansou, cansou, cansou.

- CHEGA! Preciso me fazer entender de outro modo.

Então Anna começou a improvisar mímicas de dar inveja ao sotaque surdo-mudês (ao burguês também). Fechava os olhinhos, piscava os olhinhos, arregalava os olhinhos e girava girava girava. Gesticulações precisas, arremedos corajosos, saltos embriagadores, olhares fumegantes, mãos voejantes...

E era tão bonito vê-la expressar-se daquela forma. Parecia uma dança de louca. Isadora Duncan decerto seria sua admiradora. Alguns diziam sentir vertigem. Outros ficavam hipnotizados. Os demais, apaixonados.

Em pouco tempo Anna Amorova encontrou um amoroso amante, empresário cultural, que a tornou uma famosa artista da pantomima brasileira. Mas até hoje Anna não aprendeu a falar o português e pantomimicamente explica:

- Tá doido?! Não que eu não seja capaz mas não pretendo aferrenhar-me em estudar essa língua de sotaques sambaquês, funkês, frevês, JoãoCabralês, MachadoAssês, FernadoPessoês, Camoês... Ufa! É bela mas complexa demais!

 



Escrito por sandrinha às 18h04
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encantamento

"Quando se faz amor assim, de paixão total, fica-se longe das palavras. O encantamento é uma casa que tem o silêncio por tecto"

Mia Couto. O Outro Pé da Sereia.



Escrito por sandrinha às 12h10
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Fuga

                               Fuga nº 1

 

             "...porque quem gosta de maçã irá gostar de outras porque todas são iguais..."

                                                                                  Raul Seixas, A Maçã.

 

Lírio é um homem refinado, erudito, inteligente, sensível e sedutor: um amante perfeito. É casado mas vê pouco a sua doce companheira. Ela viaja muito: é bailarina de uma companhia de dança internacional. Lírio quase padece toda vez que Maria parte deixando para trás casa, gato, cachorro, os filhos e ele. Mas fazer o quê? É o trabalho dela pelo qual tem verdadeira paixão.

Obviamente Lírio, um homem de passionalidades, está sempre muito carente e como é um homem fiel a sua companheira, não "pula o muro", ou melhor, a cerca-viva de papoulas donde extrai o seu ópio de cada dia. Mas Lírio descobriu uma maneira de "saciar" seu desejo incontrolável de paixão e Lírio é um homem de muitas paixões. Tem duas amantes virtuais (ou mais): F. F. e F. M., seus dois pontos de fuga onde amplia e recria o seu horizonte amoroso. Com F. F. ele se apresenta como anônimo e com F .M. ele inventou um heterônimo. E assim Lírio se deleita em trocar emeios com essas mulheres, também ávidas por paixão. Visita ambas quase que diariamente em suas respectivas homepages. Lírio escreve divinamente e sedutoramente bem, deixando as Meninas Balzacas apaixonadas e excitadas.

Alguém disse a ele que isso é traição, que é trepada virtual. E Lírio respondeu:

- Desde quando sonhar é trair? O casamento burguês é uma hipocrisia mas me esforço para me adequar a ele, não sei bem porque, talvez pela segurança que me proporciona, mas me esforço. Será que não posso sonhar, devanear, fantasiar com amantes virtuais? NEM MAIS O SONHO É PERMITIDO? Tenho amantes virtuais SIM. Faço-as felizes e elas também me fazem feliz. Ao menos virtualmente sou um homem livre.

Essa é uma breve história de Lírio, um homem que povoa sua alma solitária com sonhos úmidos, molhados, encharcados de paixão...



Escrito por sandrinha às 21h05
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Marx

" tudo o que é sólido desmancha no ar"

           Karl Marx

imagem: http://www.recombo.art.br



Escrito por sandrinha às 23h36
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Bakunin

     "A liberdade do outro amplia a minha ao infinito"

                                                                       Mikhail Bakunin



Escrito por sandrinha às 23h23
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sem tempo

Moçada, ando sem tempo de escrever textos (também preciso ganhar dinheiro) por isso estou colocando citações, imagens mas eu volto em breve. Me aguardem!

Escrito por sandrinha às 22h59
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Morrison

             "A única obscenidade que conheço é a violência"

                          James Douglas Morrison (Jim Morrison)

                             

 



Escrito por sandrinha às 22h53
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Baudelaire

"Quem não sabe povoar sua solidão também não sabe estar só no meio de uma multidão ocupadíssima"

                                                                               Charles Baudelaire



Escrito por sandrinha às 22h39
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a gataria

Gata gulosa, gata gostosa, gata peluda, gata carnuda, gata levada, gata escaldada, gata sadia, gata vadia.  A Gata ria com sua calda e o caldo que fica na língua, lambe-lambe subindo pelos muros, escuros becos, beco do medo da solidão e o gato Félix, devoto de Sant'Ana, faz sua alegria-oração. Mia como louco, mia rouco com fome das lambidas da sua gata de cores-Flores no pêlo e mia. Chega de mansinho, num andar de gatas e a sua gata predileta roça, se estira no chão, de bruços, de quatro. E então, de repente agarra-se com unhas e dentes e lambe e arranha e morde e sopra... Sopra?! Que nada, gatos não sopram.

 



Escrito por sandrinha às 23h25
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eroticons

 http://www.germinaliteratura.com.br

Moçada, desculpa aí, tá? Mas hoje eu tô que tô... E vou ficar em casa sozinha, sábado à noite. Pois é... coisas do amor...

                                           "Minha alma canta 

                                            Vejo o Rio de Janeiro

                                            Estou morrendo de saudades

                                            Rio, seu mar

                                            Praia sem fim

                                            Rio, você foi feito pra mim..."

                                                       Antônio Carlos Jobim, Samba do Avião.

 

Ah, alguém precisa inventar os eroticons porque os emoticons não são suficientes para expressar todas as emoções do ser humano.



Escrito por sandrinha às 21h15
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Madonna

 

Ela é maravilhosa, divina (não, divina é a Björk), super-poderosa. Não ouço muito ela, não. Acho que tem artistas melhores. Mas tenho o maior respeito por ela. É uma danada! E esse clip da música "get together" tá finíssimo, elegantérrimo: visual psicodélico século XXI. Parabéns quarentona enxutérrima. Ai, acho que tô virando uma mulher-bicha. E quem falar mal da esplendorosa Madonna é embaçado/a.



Escrito por sandrinha às 19h02
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Crepúsculo na Rua do Sol

"...no dia em que ocê foi embora eu fiquei sentindo saudades do que não foi, lembrando até do que eu não vivi, pensando em nós dois..."

                                                    Lenine e Lula Queiroga, O Último Pôr do Sol.

 Pra que eu fui descobrir as fotos desse tal Raul Kawamura?



Escrito por sandrinha às 17h16
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Eulália

Descobri hoje que a Eulália na realidade é o Eulália: projeto-solo de André Mesquita. Esse rapaz faz música a partir de ruídos, piano, gravações de campo, improvisos de guitarra e loops não-convencionais. Suas referências passam por Patti Smith, Sonic Youth, Sigur Rós, Tortoise, John Coltrane e outros. Ainda não ouvi mas pelas suas referências musicais, seus desenhos e essa capa de cd, acho que o cara manda bem. Para saber mais acesse: www.eulalia.kit.net  (...) Ah, acabei de ouvir duas faixas do Eulália: Dreams and Hipsters e Virulent. Gostei, celestial...



Escrito por sandrinha às 15h40
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Um abraço da cidade

Uma noite dessas estava eu a jantar com minha irmã, cunhado e sobrinha. À mesa conversávamos alguma coisa sobre andar pela cidade e num determinado momento eu falei que preferia as ruelas do Bairro de São José às grandes avenidas, pelo aconchego que aquelas ruas, com o seu vuco-vuco do comércio, me proporcionam.

Ao ouvir isso, minha sobrinha, surpresa, comentou:

- Ôxe, tia Sandra, aconchegante é um abraço.

(criança diz cada coisa bonita, né?)

Obviamente tive que concordar com ela mas acrescentei:

- É, Antônia. Mas na falta de um abraço eu corro pro vuco-vuco do Bairro de São José.

Então minha sobrinha sorriu com um certo ar de desdém sem querer admitir que, além de um abraço bem gostoso, adora passear pelo Mercado de São José, Rua das Calçadas, Rua Direita, Rua da Praia...

A cidade também é um corpo que nos abarca.

Além desse grande abraço, beijos!

Ah, a foto é de Raul Kawamura.



Escrito por sandrinha às 07h35
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Dos Bêbo Bom

               Dos Bêbo Bom

 

Eulália é uma mulher graciosa, simpática e cativante. Entretanto (ou por isso mesmo) tem uma vocação enorme para atrair bêbados (chamarei daqui em diante: "bêbo"). Mas só os bêbo bom, do bem. E ela nem sequer bebe...

Um certo dia Eulália estava numa parada de ônibus e um mendigo bêbo aproximou-se e lhe perguntou se queria casar com ele.

- Oh, perdoe-me mas já sou casada - mentiu Eulália, com docilidade para não contrariá-lo.

Então o Bêbo lhe mostrou uma fotografia de cores (fuji)dias fugindo pelas bordas. Na foto, um amor de casinha pintada de verde e rosa, porta, janela e platimbanda. E com o balbuciar típico dos bêbo ele falou:

- Posso dar essa casinha pr'ocê...Vai mudar de idéia não?

- Oh, que casa linda mas não posso aceitá-la, obrigada.

Com melancolia resignada o Bêbo pôs a mão no bolso rasgado da calça, tirou um chiclete sabor canela e o levou a boca.

- Adoro chiclete de canela - disse o Bêbo, mascando a goma.

- Ah, também adoro.

- Tá vendo? A gente foi feito um pro outro, minha DEUSA! - e o Bêbo deu uma gargalhada desesperada.

(...)

Outro dia Eulália estava perdida numa pequena cidade do interior (Eulália adora perder-se numa cidade).Tentava encontrar um loteamento onde precisava realizar uma pesquisa. Um outro bêbo aprochegou-se e perguntou se ela estava precisando de ajuda. Foi logo dizendo cambaleante:

- Eu conheço tudinho dessa cidade. Ela é tão pequena que cabe na palma da minha mão, quaquaquaqua - gargalhou o Bêbo quase caindo no chão.

Eulália lhe disse o nome do loteamento e o Bêbo asseverou que sabia exatamente onde ficava. E assim Eulália andou a cidade inteira, tendo o Bêbo como seu guia que sempre repetia: "tu tem os óio tão bonito...". E as pessoas da cidade confirmaram que ele conhecia "tudinho" mesmo: ruas, vielas, lugarejos. E que ela podia confiar nele, mesmo bêbo (aliás, parecia que ele estava sempre embriagado). Só sei que Eulália e o Bêbo não encontraram o loteamento. Foi quando ela decidiu recorrer aos mapas da prefeitura da cidade. O Bêbo lamentou e falou:

- Dava pra me arranjar uns trocado pr'eu tomar uma cachaça? Faz tempo que eu num bebo... moça dos óio BONIIITO.

- Eulália sorriu e lhe deu umas pratas.

(...)

Ontem à noite, voltando pra casa, Eulália cruzou com outro Bêbo na calçada, que falou ao passar por ela:

- Bom dia.

- Bom dia - respondeu ela, automaticamente.

- Bom dia ou boa noite? - questionou o Bêbo num lampejo de lucidez.

- É verdade, a essa hora já se diz "boa noite".

O Bêbo seguiu seu destino tranqüilamente e Eulália continuou rumo à sua casa rindo sozinha pelo caminho, pensando no breve diálogo que tivera com o Bêbo. Mais um bêbo bom.

 

 



Escrito por sandrinha às 16h48
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O Baú

                        O Baú da Memória

 

Vinólia não é prima de Magnólia mas tem as suas excentricidades. Ela tem um lindo baú de madeira com detalhes e fechadura em ferro. Roubou, ou melhor, pegou emprestado eternamente de um Convento Franciscano do século XVIII. Vinólia adora tudo o que é antigo, principalmente baús antigos. Porque os baús lembram segredos, tesouros, memórias e aquela história do "Pluft, o Fantasminha" que ela assistia quando criança, divertindo-se pra dedéu!

Vinólia encontrou esse baú vazio cheio de mofo e cupim. Ficou indignada ao vê-lo em péssimo estado de conservação e conversando com o Frei Xaveco, muito bacana por sinal e um tanto quanto romântico, convenceu-o a ajudá-la a levar o baú dali para a sua casa. Em casa, Vinólia restaurou o baú com toda delicadeza e amor e depois da restauração colocou o baú em seu quarto, no sótão, ao lado  da sua cama. Aí então reuniu tudo o que lhe era/é precioso: fotos, cartas, poesias, objetos de valor sentimental, memórias que vivenciou e memórias que apenas sonhou (e sonha).

Mas não pensem que o baú é uma espécie de arquivo morto, não. Muito pelo contrário. Diariamente Vinólia visita as suas memórias. Seu tempo é sentido, pensado e vivido como descontinuidade. Porque ela não separa passado e presente. Eles são idênticos e se refletem como num jogo de espelhos: um no céu, outro no chão*.

 

*Isto é a visão de mundo dos Apinayés, índios do Brasil central (ver "O que é etnocentrismo" de Everardo Rocha, Ed. Brasiliense. Ou Roberto Da Matta que conviveu com e estudou os Apinayés).

 

 



Escrito por sandrinha às 18h21
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Cândido

         "(...) mas o que é preciso é cultivar

                           o nosso próprio jardim"

                                (Voltaire, Cândido)



Escrito por sandrinha às 23h13
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O Refúgio

                                          O Refúgio

 

Encontro no devaneio o meu lugar seguro, meu ninho, meu acalanto, minha paz. Realizo grandes viagens nas fantasias da minha mentalidade, sentimentalidade que não se conforma com as impossibilidades da realidade. Mas no devaneio tudo é possível, tudo se faz. E eu me faço outra permeando o sonho, substãncia tóxica alucinógena que me arranca daqui e me faz voar voar voar...E eu quero mais é ser a outra que sou, que existe e dorme dentro de mim. Quero acordá-la. Já acordei, assumi sua pele, sua cor, seu cheiro, seu calor, seu nome. Agora aguardo o outro surgir pra se divertir por sobre e ao redor de mim. Falamos outra língua, vivemos noutro tempo-espaço. Estamos em outra dimensão. Dimensão imaginária. Dimensão salvadora, sublimadora das paixões impossíveis. E ele chegou tão macio, tão esperto, tão sedutor que já não imagino outro sonho sem a sua presença sensual. Posso não tê-lo na mão, na boca, no sexo mas ele não escapa, ah, ele não me escapa da fantasia, da diversão desse teatro. E aí então eu o possuo colado à minha alma.



Escrito por sandrinha às 22h17
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Amarante

               São Gonçalo do Amarante

 

                      Não se trata de poesia

                 isso é mais um depoimento

                 porque senti alegria

                 ao descobrir um Santo violeiro.

                 Santo eremita que toca viola.

                 Já viram felicidade nos Santos?

                 Não é perceptível no rosto

                 mas se traz um viola na mão

                 é porque deve existir

                 alegria em seu coração.

                 Não sei muito sobre ele

                 mas dizem que com sua música

                 atraía as prostitutas, que o seguiam

                 e se convertiam à religião.

                 Sei não, sei não...

                 Só sei que o seu nome abarca

                 o mar, o amar e a amante:

                 São Gonçalo do Amarante.

 



Escrito por sandrinha às 22h07
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Prestidigitador

                        A Arte do Prestidigitador

 

Suas mãos resvalam pelas curvas suaves da menina que se agita intranqüila na cama. E seus dedos fingem que se perdem entre as coxas grossas da mesma menina de amplas ancas. Cada ponto é tocado com precisão e agilidade e nem de olhos abertos a menina decifra a magia dos dedos em sua carne que queima num calor que a leva à loucura. Morna, ela chama as mãos do mágico que aparecem e desaparecem numa ilusão que a deixa confusa por desconher o segredo dos movimentos enganosos: loucos dígitos, doidas mãos. E então as mesmas mãos descobrem a umidade da menina ansiosa e aflita com tal prazer desdobrado em dobro. Dobraduras origami: arte milenar. Cartola mágica: coelhinho branco nas mãos. Os dedos pressionam e afundam no interior do sexo molhado: delicado movimento seqüenciado. E assim o artista, como se tirasse uma carta da manga, faz o gozo-magia da menina e lhe deixa como única mácula uma doce e gulosa paixão.



Escrito por sandrinha às 19h41
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